segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Eric Clapton - Woman Tone - Guia Simples

Você guitarrista já parou pra pensar nas possibilidades que os botões de "tone" e "volume" da guitarra oferecem ? Eu sei que pedais e amplis novos são sempre bem vindos, mas que tal uma versão feminina do seu som a apenas um giro de distancia?

Eu quem, assim como eu, usa mais as Les Paul esse é um timbre bem interessante de explorar.

O "Woman Tone" é um timbre apresentado ao mundo nos discos do Cream por Eric Clapton. Trata-se de um som cremoso, com agudos macios, que cabe muito bem pra alguns solos e riffs.

Ouçam este som!!

http://youtu.be/p4vxOoSS5RY


Veja agora este vídeo onde Clapton mostra como ELE faz:



Agora imaginem como isto poderia enriquecer o som de algum solo seu!

Pará chegar próximo deste som você vai precisar do seu ouvido e ir ajustando o som conforme ele te guiar, mas para facilitar vou dar um ponto de partida em 3 simples passos.

Follow the exemple:

1 - Coloque a chave de seleção de captadores de sua guitarra na posição da ponte ou braço.

2 - Coloque o captador de volume no 6 e vá ajustando a partir daí conforme seu gosto.


OU

Compre uma Gibson reissue R0, coloque no cap do braço e mande ver.  Ah o amp era da escola britânica, um Marshall. Mas na minha visão o mais importante é o som ter médios agressivos e ser macio nos agudos.


A partir daí você pode ajustar o som com mais ou menos ganho, mexendo no volume, ou mais ou menos aberto, mexendo no tone para se aproximar ainda mais do som que você ouve no disco.

Um adendo, apesar de ter agudos suaves o woman tone precisa ter um certo brilho no timbre, cuidado pra não abafar demais.

E pra finalizar, alguém demonstrando isso bem melhor do que eu pude nestas poucas palavras.



Boa diversão e aproveitem estes belos sons cremosos nos seus dedos.

domingo, 26 de outubro de 2014

Podcast - Vamos Falar de Guitarra Ep. 2


Mais um capitulo do Podcast Vamos Falar de Guitarra, com Tiago Faria e Filipe Zanella.

Nesse episódio de hoje falamos de um assunto polêmico, "O rock morreu?"

Enjoy


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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Como eles conseguiram aquele som? Appetite for Destruction - Parte 4 - Vamos falar de Amps

Há alguns anos, quando foi lançado o jogo Guitar Hero 3, vazaram na net tracks da música Welcome to the Jungle onde você podia ouvir sons de guitarra praticamente isolados. Como guitarrista eu fiquei mais ou menos assim "UAU QUE QUE É ISSO!!?".

O timbre era impressionante, e comparado ao som que eu ouvia sair do MEU amplificador, estava anos luz à frente.

Este dia nunca mais saiu da minha mente...

Anos depois quando resolvi gravar meu próprio disco este dia veio à minha mente. Pensei "preciso descobrir como aqueles caras conseguiram isso", e foi assim que começou minha busca pelo som do Appetite for Destruction.

 Demorei bastante tempo para iniciar este Post, pois o assunto é longo e complexo. Mas uma vez que você começa é muito difícil parar a pesquisa, porque tem muita informação interessante pra ser abordada. 

 Nessa segunda parte do texto sobre o Appetite for Destruction quero analisar o Amplificador usado pelo Slash para a gravação do álbum.  Assim como nos posts anteriores sobre a guitarra usada nas gravações, há também muita contradição sobre o amplificador usado.

 Este artigo tenta trazer à tona alguns fatos e discutir informações, porém é muito difícil colocar um ponto final num assunto que vem sendo discutido desde que o clipe de Welcome to the Jungle estreou na MTV. Não posso deixar de citar o site http://www.slashsworld.com/ que me ajudou bastante nessa pesquisa com valiosas informações.

S.I.R

Quando eu comecei a pré produção de O Lado Negro da Cidade, já tinha uma boa guitarra (uma Gibson Les Paul) e um amp que considerava honesto. Porém após a primeira gravação fui ouvir  o som gravado e adivinhem? 


Uma caca. 

Interessante como a gente descobre essas coisas não? E quando comecei a pesquisar sobre a gravação do Appetite me identifiquei imediatamente, pois foi durante a gravação que o Slash percebe que o som não era bom e resolve correr atrás de equipamentos decentes.

  Quando Slash começou a "correr atrás" de um amp a alternativa encontrada foi alugar um bom cabeçote Marshall. Então solicitaram à S.I.R (Studio Instrument Rentals) alguns cabeçotes para experimentar. Durante o processo Slash testou mais de 10 cabeçotes Marshall até escolher um único amp. Segundo Slash, ele tinha um som especial que nenhum outro possuía. 

 É engraçado pensar que em meio a tantos amps teoricamente iguais, um deles tinha um som diferente e é engraçado pensar que um dos pontos mais importantes para que o Appetite tenha o som que tem foi o total acaso, se é que o acaso existe.


 Slash e a Marshall

 Gostaria só de fazer um adendo, para os músicos que estão acompanhando essa série (acredito que a maioria sejam músicos). Ao que me parece depois de ler vários textos, Slash nunca cogitou usar outro amp que não fosse um Marshall na gravação do Appetite. 

Em fotos bem antigas podemos ver ele tocando com outras marcas, mas quando ele estava no processo de escolher qual amp ia alugar, nada indica que ele tenha SEQUER TESTADO outra marca de amplificador no estúdio.

 Ele testou outras marcas sim, mas bem antes, veja abaixo:

Slash com amps Risson

Ou seja, ele já sabia muito bem que timbre buscava!!!

Mas se você como guitarrista admira o timbre dele, precisa de um Marshall também, correto??!!

Não, incorreto. Você pode usar sons de outros caras como referência, mas deve buscar o que melhor traduz a sua personalidade. Eu por exemplo, sempre gostei mais do "jeito" que os Fender distorcem.


 
 Gravação do Appetite

 Depois de escolhido, o amp misterioso foi usado exaustivamente nas partes gravadas por Slash no Appetite for Destruction (o disco foi gravado entre agosto e dezembro de 1986). Slash reconheceu que o amp era diferente, especial, e por isso tentou convencer a S.I.R a vendê-lo pra ele. Porém a tentativa foi negada diversas vezes. Até que Slash decidiu tentar roubá-lo...

 O “Roubo”


 O meu Holy Grail dos amps surgiu de uma forma totalmente diferente, após descobrir que eu curtia os Fenders comecei a procurar um amp da marca ou que tivesse um timbre parecido. Eu queria um combo pois acho eles mais estilosos, e são simples , o que me atrai muito. Porém queria algo grande e acabei pegando um combo valvulado com 4 falantes de 10. Incrível... 

Quando gravei com ele fui da terra ao paraíso em menos de 15 segundos de riffs.

Agora imagine você atingir o timbre dos seus sonhos e depois ter que entregar o amp de volta? 

Triste né.

Apesar de não apoiar a ideia do Slash, vamos lá...

A ideia de Slash era informar à S.I.R que o cabeçote havia sido roubado, e o manter guardado, Aparentemente o plano foi até certo ponto "bem-sucedido",  porém um rodie desavisado levou o amp. pros estúdios de ensaio da S.I.R., provavelmente em algum momento em 1987 após a gravação do disco, onde ele foi reconhecido e levado de volta por técnicos da S.I R..  Slash conta que depois disso a relação entre ele a S.I.R. nunca mais foi a mesma, e ele nunca mais viu o amp. Sabemos então que o resultado do som do Slash no disco é a união de uma guitarra única, com um amplificador único.

 E pra quem não tem condições de alugar uma dezena de amps e sair testando pra escolher o seu, existem outras alternativas. Hoje em dia você consegue ensaiar em lugares que possuem várias marcas. Tem também muitos vídeos no Youtube e tal. Talvez você não tenha uma historia tão emocionante pra contar se comprar seu amp no Mercado Livre, ou talvez tenha, nunca se sabe o louco que está por trás de cada anúncio, mas o mais importante é que todo guitarrista deve encontrar o seu Holy Grail,

 Bom, sobre a guitarra já temos vários detalhes, porém e a respeito do amplificador?  Nosso desafio agora é descobrir alguma coisa sobre ele, afinal só sabemos que era um cabeçote Marshall.

Mas Slash não foi o único...

 George Lynch estava ensaiando (NO ESTUDIO DA S.I.R) em 1985 com o Dokken para a tour Under Lock and Key , e ficou impressionadíssimo com um cabeçote da S.I.R. conhecido por eles como stock#39, um cabeçote Marshall que havia sido modificado pra soar diferente dos demais.  George, por mais que tentasse, não conseguiu convencer a S.I.R. a vender o amp e nem a informar quem fez a modificação; então ele desembolsou uma bela grana pra levar o cabeçote alugado na tour, até aproximadamente setembro de 1986 (As gravações do Appetite começaram em Agosto daquele ano).
 Depois disso, George conseguiu descobrir o nome da pessoa que fez a MOD e encomendou a mesma mod em alguns de seus amps.

O legado do Appetite For Destruction

 Não preciso dizer que depois da explosão do Guns n’ Roses muitas pessoas começaram a tentar atingir aquele timbre, ou simplesmente saber como Slash conseguiu aquele determinado som característico.

 Isso me leva a um flashback diretamente ao meu estúdio, com minha guitarra e tentando posicionar o microfone da maneira certa, pra ter o som certo. Timbres como a abertura de Sweet Child O’ mine,  o timbre distorcido e melódico do captador do braço, são marcantes a ponto de poder reconhecer a música com uma só nota!

 Porém as pesquisas sobre o timbre sempre esbarraram na falta de informação, ou informações conflitantes por parte do Slash ou participantes do processo de gravação. Além do mais, o álbum já tem mais de 25 anos e quando ele foi feito ninguém estava dando muita bola. Ninguém imaginava o tamanho que chegaria o Guns n’ Roses.

 Não preciso dizer que há a possibilidade de o #39 ter sido usado tanto por Slash quanto por George Lynch. Primeiramente porque ambos descrevem o amp como sendo muito diferente em termos de timbre dos outros cabeçotes da S.I.R. 

O que sabemos até agora é que existiu um #39 Marshall modificado que pode ter sido usado por George Linch do Dokken em turnê e no Appetite for Destruction do Guns n' Roses. Mas vamos tentar cavar mais fundo e aprofundar-nos mais nisso.


 O técnico Misterioso

 Graças à conexão com George Lynch, o técnico que trabalhou na S.I.R. e modificou o #39 é conhecido:  seu nome é Tim Caswell e ele possui uma empresa, e produz seus próprios amplificadores.

 Na época em que trabalhou na S.I.R. Tim era o único técnico que fazia modificações nos amps.  A S.I.R. possuía diversos Marshall Super Lead  em que Caswell fez uma modificação que ele chama de “stage one mod” que consistia em aumento de médios. A S.I.R possuía apenas UM 1959T (similar aos outros, porém com um circuito de tremolo valvulado) no qual Caswell aplicou a sua mod. de aumento de ganho.

 A ideia da mod surgiu após o footswitch do amp ter sido perdido, o que era necessário para o acionamento do tremolo valvulado.  Este circuito valvulado foi convertido então em um estágio extra de ganho no pré amp, tornando o mesmo mais voltado para sons quentes de rock n’ roll.
 Por muito tempo foi o amp mais requisitado da S.I.R. e altamente recomendado para clientes que gostariam de obter uma sonoridade mais quente.


 Até hoje muitos pedem para Tim as modificações e ele segue fazendo em diversos modelos de Marshall.  

                     Veja abaixo Tim testando uma recriação do #39 que ele comercializa.






No site da empresa dele há uma explicação mais detalhada da modificação que ele criou no Marshall #39 - http://caswellamps.studioelectronics.com/39Mod.html


Imagem de um Marshall 1959T


E aparentemente até hoje o único 1959T modificado por Tim foi o cabeçote da S.I.R. .



 Where do we go now?  Glenn Buckley

Ja sabemos que existia um amp modificado, o Stock 39# e sabemos que foi modificado por Tim Caswell, sabemos também que Lynch alugou este amp e adquiriu cópias dele junto a Caswell. Resta saber se esse é realmente o amp que Slash usou na gravação, até agora tudo indica que sim.

 Eis então que surge um novo personagem desta historia. 

Afinal como George Lynch chegou a Tim Caswell se a S.I.R. não queria revelar o nome do técnico que modificou o amp??

 A resposta é Glenn Buckley, este é o nome do funcionário da S.I.R. na época que informou a Lynch o nome do técnico que fez a mod no #39, e o que vem a mente em seguida é “quais outras informações este cara pode ter?” .

 Glenn trabalhou aproximadamente 5 anos na S.I.R.  e possui detalhes de diversos modelos de amps da empresa vivos em sua memória, dentre eles o #39.
 
 Os ensaios Pré- Appetite

 Na primavera de 1986 o Guns n’ Roses havia assinado contrato com a Geffen e eles pagaram os estúdios da S.I.R. para que a banda ensaiasse e trabalhasse nas músicas de seu primeiro disco. Nesta época a tour de George Lynch com o #39 já havia acabado.

 Alguns amps foram disponibilizados pela S.I.R. para que Slash escolhesse um. A escolha foi certeira, ele escolheu o #39.  Meses depois um segundo contrato de locação de equipamentos foi feito, e nele a banda especificava que queria utilizar o #39.

 O problema é que Glenn lembra-se de que este amp havia sido alugado e não estaria disponível na época das gravações do Guns n’ Roses, nada mais normal que isto, já que era o amp MAIS requisitado da S.I.R. .

 Então como a S.I.R. resolveu esse problema???? 

Bom isso a gente vai ter que aprofundar melhor depois.


Continua...






domingo, 24 de agosto de 2014

Jack White - Sistema de Monitoração

Estava eu lendo a Rolling Stone americana esta semana quando me deparei com a matéria sobre Jack White.

Sei que ele é um músico que desagrada a muitos, mas não posso deixar aqui de manifestar minha simpatia pelo trabalho que ele vem realizando.

Apesar de concordar com algumas criticas que geralmente ele recebe, creio que suas qualidades conseguem superar de longe os defeitos, tornando um músico muito interessante.

Além disso posso notar no passar do tempo uma evolução enorme em seu estilo.

Porém o que me chamou atenção na matéria da revista foi o trecho que White comenta como ele faz pra monitorar o som que grava em seu estúdio.

Sabemos que depois de gravado o som precisa ser ouvido pelo músico e produtor. Nessa audição pode,  decidir de o audio está bom e se a performace foi satisfatória.

Além disso, depois de todos os instrumentos estarem gravados precisamos também de ter como ouvir todos soando juntos, pra poder regular os volumes, equalização e etc...

Para ouvir os sons geralmente usamos caixas de alta fidelidade, colocando elas de forma a respeitar uma distancia e altura perfeitas para o ouvido do tecnico sentado á mesa. Quanto melhor é a caixa mais cara é, mas vale a pena pois você pode ouvir audio em altíssima qualidade e mixar da melhor forma possivel, certo?


Pois é exatamente aí que entra a excentricidade de White, veja. Só o que ele disse a Rolling Stone:

 "Eu não quero ouvir algo em alto-falantes do estúdio caros que ninguém tem. Eu quero ouvi-lo onde eu realmente ouço música"

 Enquanto seu técnico de som fica no controle da mesa, ele vai até seu carro, abre a porta e entra.

Seu estúdio possui um transmissor FM que transmite a mix, ele então sintoniza no rádio do carro e ouve de lá. Com um walk-talk ele consegue dar instruções para o tecnico, para aumentar o baixo, etc...

White diz " How cool is that"?






terça-feira, 22 de julho de 2014

Podcast - Vamos Falar de Guitarra

Boa noite pessoal,

Este é um post atípico, não venho falar sobre guitarras, equipamentos, nem tecnicas nem nada disso, vamos deixar isso pra outra hora. Meu intuito hoje é apenas anunciar um novo projeto.

Há algúm tempo venho sentindo uma tristeza por ver o rock n' roll cada vez mais longe da mídia. Qual o
resultado prático disso? Talvez isso tenha a ver com a pequena quantidade de excelentes bandas que temos
hoje, se comparamos com outras épocas. Pensando nisso, e conversando com meu amigo Tiago Faria, sobre Podcasts tivemos a idéia de fazer o nosso Podcast.

O intuito não é falar sobre os mesmos temas que falo no blog, lá não são abordados equipamentos, técnicas e etc... O intuito lá e falar sobre rock, bandas, músicas e historias ligadas a isto. Até sobre mercado musical
vamos falar, e quem sabe, você não consegue pegar alguma dica legal para sua banda ali? Quem sabe também você não consegue participar do Podcast um dia e falar dos seus projetos, divulgar seu som e etc... ?

O que queremos é justamente isso, fazer a roda do Rock n' Roll continuar girando mais forte do que nunca, e pra isso gravamos um piloto que eu, orgulhosamente tenho o prazer de compartilhar.

Sabemos que ele não possui ainda o nível de qualidade necessário pra figurar entre os mais bem feitos
podcasts, afinal é apenas um piloto, com problemas tecnicos que devemos ir resolvendo nas próximas
edições.

Porém o que falta ainda em técnica, sobra em alma e vontade de criar algo interessante, útil e novo.



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Filipe Zanella

domingo, 13 de julho de 2014

Gravando guitarras em Linha com Jimmy Page


Muito se fala sobre gravação de guitarras em linha quando o assunto é simulação, e eu resolvi escrever este texto porque esta não é a única forma de se fazer isto.

Bom, já deu pra perceber que estou levando o blog, nesse momento, pra um caminho dentro do mundo da gravação de guitarras.

 Isso ocorre porque estou montando meu home studio agora, e estes assuntos estão sendo parte direta do meu dia a dia. E se você tem vontade de gravar eu pergunto: por que não começar um home studio agora?

Mas voltando à parte prática da coisa, sempre vejo por aí muitas discussões quando o assunto é:

1 - Analógico X Digital - O que é melhor? Quando usar um ou outro?
2 - Simuladores, usar ou não??

Eu não quero entar ainda nessas discussões, mas existem outras formas de fazer uma boa gravação em linha sem entrar nesse território.

 Afinal exitem gravações que foram feitas sem amp, plugadas direto e SEM TENTAR SIMULAR UM AMP. Quer um exemplo? Black Dog do Led Zep. Ouve aí.






Pois é, se você concorda que aí tem um timbrão saiba que o Jimmy Page plugou a guitarra direto na mesa de som e mandou ver, o drive vem do circuito da própria mesa que NÃO ERA VALVULADA. Ele usou uma mesa clássica, uma NEVE.


Veja o que ele disse em uma entrevista sobre como gravou as guitarras:

Nos plugamos minha Les Paul em um direct box indo para um canal da mesa. Nós usamos o pré de microfone da mesa de som para obter distorção. Então nos mandamos isso para 2 compressores Urei 1176 Universal compressors ligados em série. Então cada linha foi triplicada. Curiosamente, eu estava ouvindo aquela trilha quando nós estávamos revendo as fitas e as guitarras soam quase como um sintetizador analógico.

Destaco este ponto pois existem muitos mitos no mundo do áudio, e às vezes as pessoas  esquecem de quebrar as regras.

Então seguindo a receita do Page você precisa da Guitarra + Pre Amp + Compressores + Gravador. O PRE que ele usou foi o da mesa, e você consegue brincar usando uma mesa barata qualquer. Só lembrando que o som da guitarra plugada direto é bem diferente do som dela passando por um ampli.


 Nunca se esqueça de aceitar e respeitar o som que seu equipamento dá, e tentar tirar o melhor dele: aí você estará no caminho certo. Se você estiver tentando igualar o som de outra pessoa, ficará frustrado. Nem mesmo o Page tira o som exatamente igual àquele; chegará perto, mas não será mais idêntico.



Compressor 1176 da Universal Audio: Page usou 2 desses pra Black Dog.


Dito isto, vamos continuar a sequência da gravação:

Guitarra >>>>>> Mesa de som >>>>>>> Compressor >>>>> Interface >>>>> PC

O pré amp vai te que ser forçado: quando você aumentar o ganho vai começar a ter distorção.

- Ah mas minha mesa de som é muito ruim, uma mesa barata etc... 

Não tem problema nenhum, muitas vezes dos equipamentos mais baratos você tira os melhores sons. O importante é experimentar!

Pra fechar, vou deixar este vídeo do Nirvana que usa guitarras gravadas dessa forma em algumas partes.





Bom e se você curte saber sobre gravação de guitarras talvez se interesse por este post aqui: 
Guns n' Roses - O som do Apettie for Destruction

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Como eles conseguiram aquele som? Appetite for Destruction - Parte 3 - A Equação Izzy Stradlin

I

 Como falar do som do Appetite for Destruction sem falar de Izzy Stradlin ? Apesar da imagem do Guns N’ Roses estar totalmente ligada à dupla Axl Rose e Slash, cada integrante, sem dúvida tem um papel fundamental seja na composição, seja na sonoridade final da banda. Desde Axl a Adler, qualquer um que fosse substituído resultaria numa mudança na sonoridade atingida em Appetite for Destruction.

 Porém como estamos aqui para falar de guitarra vamos focar agora no som que sai pelo alto falante esquerdo do seu aparelho de som. Digo isto por que em geral as partes que você ouve saindo pelo lado esquerdo são as partes tocadas por Izzy, enquanto as partes que você ouve pelo lado direito ou no centro são de Slash.

 Quando ouvimos a música do disco somos impactados pelo conjunto da obra. Mas é interessante notar como os riffs tocados por ambos os guitarristas se entrelaçam. No final temos a impressão do todo, mas este todo é composto por 2 caras com personalidades opostas, abordando uma música de maneiras totalmente diferentes e formando uma unidade sonora bastante interessante.

 A forma como a mixagem trata isso é jogando o som da guitarra de um músico na esquerda e de outro na direita, com os solos no centro. Desta forma temos um som equilibrado (metade pra um lado e metade pra outro), e temos um certo nível de separação que é muito útil. O que quero dizer é que você ouve a banda como uma coisa só, porém se tiver atenção aos detalhes poderá distinguir facilmente o que é executado por um e o que é executado por outro, porque a mixagem (a forma como a música é regulada, e ajustada para soar nos falantes) favorece isto.

 Bom, este papo todo tem mais a ver com a forma, com gravação, do que exatamente com o som do Izzy.
Em termos gerais como soa o som dele? Devo dizer que em comparação ao som do Slash o Izzy soa menos distorcido e menos agressivo. O som dele é mais simples também. Enquanto Slash executa a música com um som mais pesado, agressivo e com mais notas rápidas, Izzy é um cara que faz um som mais leve, deixando as notas soarem mais tempo, um som de rock clássico simples porém com coisas legais nas bases que complementam bem o som da banda. 

 Pra revista GUITAR em setembro de 1988 ele definiu seu som desta forma:  “Eu sou um guitarrista realmente básico. Eu sempre ouço a simplicidade de uma canção”.

 E é exatamente isso que esperamos e curtimos no Izzy. O cara é praticamente um Rolling Stone dos anos 80. Então, pra executar este tipo de som, que equipamento ele usou? Qual é o timbre necessário?  

Claridade


 Pra tocar o som simples a que Izzy se refere, acredito que o melhor jeito é com um equipamento simples. Se voltarmos no tempo veremos que Izzy sempre foi um adepto da Gibson. Veja a foto abaixo:


 Essa Gibson é uma Les Paul Black Beauty. Qual a diferença básica da Les Paul que o Slash usou pra essa? Além da cor (esta é toda preta) a madeira é o diferencial. Enquanto a Les Paul do Slash e a grande maioria das LesPaul é feita de Mogno com o Top de Maple, esta do Izzy é feita totalmente de Mogno. 

 Sonoramente, o que muda? O Mogno é uma madeira nobre com o som excelente e encorpado e quando você coloca um TOP de maple você adiciona mais brilho e um “estalo” a mais no timbre. Resumindo grosseiramente a guitarra de Mogno do Izzymais mogno, mais corpo e menos brilho no som.
Porém apesar desta ser uma PUTA guitarra, acho que Izzy não estava totalmente satisfeito e você jajá vão entender o porquê. Porém antes quero analisar esta conexão.


George Thorogood


 Neste momento alguns de vocês devem estar se perguntando quem é George Thorogood...





Thorogood, além de ser o cara da foto acima, é também o líder da Destroyers e tem sucessos como este aqui abaixo:



 Pois é, a banda de Thorogood tem essa conexão com o Guns n’ Roses, os dois tem músicas na trilha sonora do Exterminador do Futuro II.  E além de estarem na mesma trilha sonora havia uma certa admiração por parte de alguns membros do Guns ao som feito pelos Destroyers. Vejam só o que Izzy disse sobre Thorogood em 88, bem antes do lançamento do filme:

“Eu sempre amei Thorogood e quando ouvi seu material no rádio amei o som.”

 Bom, legal sabemos que Izzy tem bom gosto, mas o que tem isso a ver com o Appetite for Destruction ? Só mais 1 minuto...


Voltando a Black Beauty


 A Les Paul é uma guitarra bonita, com um visual clássico, som encorpado e com punchIzzy vinha tocando em guitarras Les Paul por alguns anos, porém antes da gravação do Appetite algo mudou.

Izzy é visto fazendo shows com uma outra guitarra:




*Gibson ES-175.

 É sabido que assim que Guns conseguiu a grana do adiantamento do contrato com a Geffen, Slash adquiriu a Hunterburst, sua primeira guitarra de alta qualidade, uma réplica de uma Gibson Les Paul.
Os outros integrantes também se municiaram. Pelo que lemos na biografia do Slash, ele e Izzy visitaram a Guitar US em Los Angeles (loja já extinta de Los Angeles), onde Izzy adquiriu duas guitarras Gibson ES-175 e um amplificador Mesa Boogie.   

 Sobre as Semi-Acústicas Izzy disse a revista Guitar Player, em 1993, o seguinte: I like Les Pauls, but the hollowbodies are great, because I can play them in hotel rooms or anywhere without an amp. I just love the look, the feel, and the sound those things get. Especially those old soap-bar pick-ups”


 Então temos a passagem de Izzy da Les Paul BlackBeauty, para a semi-acústica ES-175. Que foi um modelo de guitarra que a Gibson lançou no fim da década de 40focada em guitarristas de Jazz (acho que o rock ainda nem existia). Essa guitarra era uma versão mais barata de outros modelos e custava apenas 175 dolares, daí o nome ES-175. Um destaque são os captadores P90, são captadores single da Gibson que equipavam praticamente todos os modelos de guitarras até a criação do HumbuckerO Som é mais aberto e brilhante que o Humbucker. 



*Captador P90

Desta forma Izzy conseguiu o timbre que buscava no momento.

 Bom, posso dizer que quando vejo shows onde Izzy toca com outras guitarras como Les Paul ou Telecaster, sinto que falta algo. Pra mim a semi-acústica com P90 é um elemento fundamental na equação do som do Appetite.



E o que tem o Thorogood a ver com Isso tudo???

Izzy sobre Thorogood :
“ Em um de seus shows eu vi a guitarra que ele estava tocando. Eu fui em algumas lojas e um cara me mostrou um catálogo da Gibson e eu encontrei isso. Eu levei uma Tobacco Sunburst e uma Cherry Sunburst (nome das pinturas das guitarras)”


 Quem diria que o Appetite tinha tanta influência de George ThorogoodHoje muitos músicos que são influenciados pelo Guns estão lendo este texto e talvez tirando algumas ideias pra si (eu fiz exatamente isto enquanto pesquisava) , e é legal agora ver que os caras do Guns n’ Roses fizeram a mesma coisa com suas influências.

Izzy também realizou algumas modificações para que pudesse se aproximar ainda mais do som que buscava.

I anchored the bridges. This new Gibson I've got, which is 5" deep, had a sliding bridge which I Superglued down.

O que isso significa exatamente? Bom, pelo que pude descobrir a ponte da guitarra dele foi subtituída por uma ponte mais próxima a de uma Les Paul, a famosa ponte Tune-o-Matic, que possui um sistema mecânico muito mais sofisticado do que a que vinha originalmente na ES-175.

Apesar de também ser usuário de heroína, aparentemente Izzy não precisou vender nenhum equipamento para custear seu vício, pois nos próximos shows Izzy foi fotografado tanto com a Les Paul quanto com a ES-175. Porém quando perguntado sobre as gravações do Appetite ele foi taxativo, apenas usou a ES-175. 

A maioria do tempo eu uso uma semi-acústica, na verdade na maioria das tours é somente o que eu uso. É uma ES-175 com captador P90. É uma das melhores sonoridades de guitarra que eu já ouvi. Eu fiz toda a gravação (Appetite for Destruction) com ela.”

 Finalizo este texto dizendo que apesar do som da guitarra base estar balanceado 50/50 pra cara músico, ou seja,Slash e Izzy tem participação igual nas bases, na minha visão o som do Izzy é mais “audível”. Quando ouço as músicas tenho a sensação de ouvir mais claramente suas partes do que a de Slash, e acredito que isso se deva ao uso de menos distorção. Quando ouço os áudios isolados sinto também que o som do Izzy é mais definido, enquanto o som do Slash é mais agressivo e às vezes acaba se tornando um pouco mais “embolado”.
 Reforço que estas são impressões pessoais, porém isso faz com que eu aprecie nas bases, mais o som que é feito pelo Izzy do que o som feito pelo Slash. Quero dizer que, como guitarrista, prefiro obter um som parecido com o do Izzy, quando toco uma base, do que o som obtido pelo Slash


.

 Outro importante ingrediente equação é também o Ampum Mesa Boogie que infelizmente não sabemos exatamente qual é o modelo do cabeçote:
Izzy - The tone on that through a Boogie is incredible. Slash plays a Les Paul with a Marshall. Beetween those two sounds you've got a good distinction.

OBS:

Sobre amplificadores...

Em 1988 ele disse como era o som que procurava: “Há um som que prefiro; Algo entre um cowntry clean e a distorção Marshall. 

Porém é interessante notar que Izzy não ficou 100% satisfeito com o resultado, ele queria mais médios no som. O que acho mais interessante notar é que a maioria dos músicos acha que a única forma de resolver isso é aumentar os médios no EQ, do amp ou da mesa de som na mixagem do disco, porém existem N formas de se aumentar os médios no seu som, veja como Izzy pensava em “resolver" isso pro próximo disco:

 I don't think they brought that out as well on this record as I would have liked. I recorded with a full stack. When I look back now I see the way to go is to push with a small amp. I'd like to get a bit more mids out next time. I'll try a Boogie with one 12". I've been messing around with Carvin amps and getting good tones out of those."

Ou seja, queria mudar pra um amp menor pra ter mais médios. Essas soluções criativas são muito interessantes. Bom já que começamos a falar de amplis vamos nos aprofundar neste tema estentendo também para os amplis usados pelo Slash, mas isto já é assunto pra um próximo post...


domingo, 27 de abril de 2014

Buscando o timbre dos Sonhos - Moldando o meu som pt. 1 - Introdução


 Já faz um tempo que venho tentando obter um sólido timbre de guitarra, com clareza suficiente para tocar acordes, peso para tocar riffs, sustain para solos etc... Porém todos sabemos que isso não é nada fácil.  Vamos lá, quem nunca tocou e sentiu necessidade de uma dessas características que eu falei acima? Ou ainda mais a fundo, quem nunca se sentiu insatisfeito com o som, mexeu um pouco nos controles do amp e não chegou ao resultado que queria? Esse texto é sobre essa frustração e sobre como canalizo isto para tentar chegar no meu som.

 Este texto tem o formato de manual, e isto serve apenas pra facilitar, sistematizar o processo. Porém não quero te dizer como você deve fazer as coisas, eu vou te dizer como EU faço as coisas, e espero que isto te ajude a encontrar o seu som. Este "metodo" foi algo que criei exclusivamente pra mim, porém decidi que seria interessante poder dividir o conhecimento com mais gente e difundir as ideias.

 A ideia toda deste material se baseia em um fundamento: sempre que tentamos obter um determinado som encontramos dificuldades devidas a um grande número de possibilidades.

 Por ex: Jonny é fã descarado de rockabilly e guitarristas das antigas como Scott Moore. Quando toca com sua banda ou em casa sozinho sempre tenta reproduzir aqueles riffs com som praticamente limpo e bem estalado, usando palheta e dedos. O que o incomoda é não conseguir os mesmos agudos consistentes que ele ouve na sua seleção preferida de bandas.

 Como pode ele então atingir diretamente o X da questão e resolver seu problema?

a - Atochar agudos no AMP.
b - Usar só o captador da ponte
c - Comprar um pedal de Trebble Booster e deixá-lo sempre ligado
d - Trocar os falantes do amp por algum que tenha o timbre mais brilhante

Bom, se você respondeu A, B, C ou D receio que você esteja correto, e é nesse ponto que quero tocar quando digo "possibilidades".

 Tanto o equalizador do amp, quanto um pedal, quanto qualquer opção que eu citei e ainda muitas outras podem prover o timbre matador, levemente comprimido e estalado que nosso guitarrista procura. Então quando me via frustrado girando botões do amp sem conseguir o resultado que desejava comecei a tentar deixar a coisa mais sistematizada. Primeiro ajusto X, depois Y e assim por diante. Ajustando um coisa de cada vez você vai chegando no timbre final mais perto do ideal.

 Na minha opinião nada é mais importante para um guitarrista do que sua guitarra (meio obvio isso não?); pois bem , não riam, mas isso nem sempre foi tão óbvio pra mim. E nem pra Jonny, que ainda não sabe como atingir o timbre "ideal".

O que acontecia comigo, com Jonny e com, acredito eu, muitos de vocês é que me perdia procurando um som num pedal ou amp, antes de olhar pra minha guitarra.

 Não digo que o pedal e o amp não são fundamentais, mas vamos colocar uma ordem de importância para o seu timbre final:

1 - Guitarra
2 - Amplificador
3 - Pedais

 Você já tem a guitarra ideal? Pois é Jonny não, ele tem uma Ibanez com floyd rose que ganhou de seu pai quando ainda era garoto e ainda nem sabia tocar guitarra. Talvez então o melhor jeito dele começar a obter o som que ele quer é começar a observar guitarras que possuem como característica um som estalado e encorpado, sem muitos médios.

 Bem acho que é um bom ponto para começar, vamos parar por aqui agora e num próximo momento vamos tentar imaginar o que aconteceria se ele tentasse uma nova guitarra.

Abraços
Filipe Zanella

domingo, 13 de abril de 2014

Como eles conseguiram aquele som ? Appetite for Destruction - Parte 2 - A Guitarra do Slash


 Seguimos hoje com a segunda parte da saga do Appetite for Destruction, onde estamos tentando entender o som da guitarra no disco e como ele foi obtido.  Pra quem não leu a parte 1 é só clicar aqui. Vamos à parte 2...

O outro lado da historia

Max Baranet e Slash

 Nas entrevistas Slash afirma que conseguiu a Les Paul Derrig no último dia de sessões no Rumbo Studios; após esta fase a banda foi para o Take One concluir as gravações. Quando chegaram no Take One as bases já haviam sido feitas, e Slash utilizou a Derrig para os solos. Neste caso, qual guitarra Slash utilizou pras bases? A Jackson, a B.C. Rich ou alguma outra?
  É sabido que Slash adquiriu outra réplica na mesma época, e muitos acreditam que ela foi usada no álbum. A outra burst do Slash é uma é Max Baranet, que faz lindas guitarras que custam MUITO hoje em dia. Max preza por realizar cópias fiéis das Les Paul 59 originais, muitas vezes usando peças originais de Gibsons da época.
                                                
 Pessoas que trabalhavam nas lojas de música da época narram um fato interessante: Slash teria ido até a loja de Max e pedido uma guitarra “urgentemente”, pois iria começar a gravar o seu primeiro disco e ainda não tinha a guitarra “ideal”. Foi então que Max teria oferecido a ele sua própria guitarra pessoal, que ele mesmo havia construído. “Testemunhas” dizem ter visto Slash saindo da loja com o case em mãos.


 A guitarra adquirida de Max foi esta aqui:





 Aqui estão as 3 réplicas de Slash da esquerda para direita Slash's #4 1959 Derrig Replica comprada de Jim Foote in 1996  / 9 0607 Les Paul Derrig da gravação de Appetite / Max 1960 LP Replica 0 -94XX  




Considerações finais sobre a replica de Derrig

 Para concluir quero apenas dizer que essa guitarra não é tão venerada apenas por ser uma ótima guitarra. Além disso ela é quase que exclusiva, suas características ficaram marcadas como sendo o "som Slash", e uma boa parte do "som Guns n' Roses". Vendo por essa perspectiva é mais fácil entender o status de lenda que a guitarra vem adquirindo com o passar dos anos.
 E como eu havia comentado, a gravação desse álbum é um assunto extenso, dessa forma peço que aguardem as próximas partes, onde eu pretendo abordar mais histórias, equipamentos e etc. que fizeram o som marcante deste disco.



Mais informações sobre Kris Derrig - http://www.krisderrig.com/



P.S. Vale a pena lembrar que Slash usou essa guitarra por muito tempo ao vivo, até perceber que ela era insubstituível e passar a deixá-la apenas para gravações. Vocês podem ver a réplica feita por Derrig no vídeo abaixo:



Howie’s SG: Já falamos de Les Pauls, Jackson, B.C. Rich e agora vou falar da Gibson SG de Howie, o cara que fornecia equipamentos para o Guns antes da fama. Tudo que posso dizer é que ele cedeu uma bela Gibson SG para Slash usar nas gravações, Slash utilizou em My Michelle por que a guitarra tinha um som “sombrio”. Pessoalmente acho que tem tudo a ver com aquela introdução de My Michelle, e olhem só que fim levou a guitarra de Howie:


SG de Howie no vidro da pick-up ao fundo


A Huntersburst
 Depois desta longa história, quero voltar lá no começo para contar um fato que talvez tenha passado desapercebido pela maioria. Lembram-se de quando eu falei que Slash havia vendido sua melhor guitarra para sustentar seu vício de drogas?
 Veja abaixo:


Slash e Pamela Manning – 05 de abril de 1986 – The Whiskey

 Tirando as distrações da foto, podemos notar a guitarra que Slash possuiu.  Os registros que existem dessa guitarra são principalmente fotos e vídeos feitos por Marc Canter e demos do Appetite for Destruction, gravadas no Sound of City, datadas de 4 de Junho de 1986.

 Esta guitarra estava “desaparecida” e foi reencontrada por um cara chamado Scott Sheldon(autor do site “oficial” do Kris Derig). Ela hoje está exposta no Rock n’ Roll Hall of Fame de Cleveland Ohio. Praticamente nas mesmas condições que vemos nas fotos com Slash.

 É uma Les Paul com o braço grosso estilo das Gibson 58 equipada com Seymour Duncans JB.

 Veja o que Slash diz em seu livro sobre esta guitarra:

 "(...)eu estava tocando uma guitarra nova: era uma guitarra que pertencera ao guitarrista de blues dos anos 70 Steve Hunter. Eu havia trocado minha BC Rich por ela na loja de Albert e Howie Huberman, a Guitar R Us. Aquela loja era uma verdadeira instituição para qualquer músico de Los Angeles sem condições de comprar na Guitar Center; era o brecho dos músicos. Foi onde me livrei de toda minha tralha e adquiri equipamento novo. Ou, quando o dinheiro acabou, foi onde vendi meu equipamento para conseguir dinheiro para comprar mais drogas."

 Aproximadamente 10 meses depois Slash, precisando de dinheiro sabemos para o quê, vendeu a guitarra. Essa guitarra é importante, pois foi ela que “despertou” o interesse de Slash em Les Pauls. Foi com ela que Slash obteve pela primeira vez um timbre característico que ele viria a eternizar posteriormente.

 As demos iniciais do Appetite foram feitas com essa guitarra. O grande mistério que está envolto nessa historia é quem a construiu. Alguns dizem ter sido Max Baranet e outros afirmam ter sido Kris Derrig - não vou entrar nessa discussão porque ela é muito longa e não tem uma resposta definitiva. Mas continuo pesquisando sobre o assunto, se algum dia surgir algum fato irrefutável com certeza atualizarei este artigo.



Recapitulando:

Jackson Superstrat: Essa guitarra foi comprada no começo dos anos 80, bem antes de Slash definir seu estilo musical. Quando Slash se viu sem muitas opções para utilizar nos shows e gravações(Slash havia vendido sua melhor guitarra para sustentar o vício em drogas), ele “resgatou” essa guitarra do fundo do baú. É sabido que ele a levou ao Studio, porém a guitarra se danificou quando ele foi trocar as cordas, portando não acredito que ela tenha sido usada nas gravações.

Jackson Firebird: Sabemos que ela existe pois Slash menciona isso em seu livro e há algumas fotos de shows também.. Segundo Slash essa guitarra tinha um som de "merda" e não foi usada nas gravações do álbum. 





HunterBurst: Guitarra que supostamente pertenceu a Steve Hunter foi vendida a Slash por Howie Hubberman. Era uma Les Paul parecida com as Gibson de 58. Muitos creem ser uma guitarra feita por Max Baranet, alguns acreditam ter sido feita por Kris Derrig, e outros acreditam que pode até mesmo ser uma Gibson original. A verdade é que ninguém sabe ao certo. Essa guitarra certamente não foi usada para gravação do disco pois foi vendida antes do processo de gravação começar. Sua grande importância foi servir como marco, e despertar o gosto de Slash por Les Pauls. 



9 0607 Les Paul Derrig:  Santo Graal de Slash, essa guitarra foi usada em todos os solos que ele faz no Appetite. Slash já estava meio desesperado quando Alan Nieven o trouxe essa guitarra, pois não havia ainda atingido o timbre para guitarra solo considerado ideal.  Essa replica tem as especificações de braço da Les Paul de 58, porém está equipada com captadores Seymour Duncan Alnico Pro II. A paixão foi imediata e até hoje é a principal guitarra em usada em todas as gravações feitas por Slash.




#4 1959 Derrig Replica: Quase 10 anos após a gravação de Appetite Slash consegue mais uma replica de Les Paul feita por Kris Derrig. Slash pediu a um luthier que deixasse o braço dessa guitarra mais fino, parecido com uma Les Paul 1960. Certamente não foi usada no Appetite, porém foi muito utilizada depois, principalmente ao vivo na época do Velvet Revolver. Segue abaixo um vídeo dela:




Max 1960 LP Replica 0 -94XX: Guitarra que Slash possivelmente comprou de Max para as gravações do Appetite, eu acredito que essa guitarra foi usada para todas as gravações das bases, pois quando essas gravações foram feitas Slash ainda não tinha conseguido a Les Paul de Derrig.  É uma replica da Les Paul de 1960(braço mais fino) de alta qualidade. Essa guitarra foi construída utilizando captadores PAF originais, porém quando Slash adquiriu pediu que fossem trocador por Seymour Duncan para que o preço ficasse mais acessível, dizem que essa guitarra custou na epoca $2600 dolares, e que Slash demorou 2 anos para pagá-la.  Foi usada em tours entre 1987 e 1988.



Howie SG: Essa guitarra foi cedida por Howie Hubberman, que era o cara que conseguia instrumentos pro Guns antes da fama. Slash utilizou em My Michelle por ter um timbre mais “obscuro”. Acredito que ele não tenha curtido tanto assim a guitarra...



B.C. Rich Warlock: Outra guitarra do começo dos anos 80, era a principal guitarra de Slash no início do Guns n’ Roses, Slash afirma ter trocado esta guitarra pela Les Paul Hunterburst la Guitar R Us de Los Angeles. Aproximadamente 1 ano após trocar a HunterBurst pela Warlock Slash volta a aparecer em shows com a Warlock, provavelmente ele voltou a loja e pegou a guitarra de volta e deixou a Les Paul com Howie, recuperando assim a grana pra usar em drogas. Essa guitarra não está nas gravações finais do álbum já que Slash tinha a disposição a  Les Paul de Derrig, e ele não havia aprovado o som da Warlock. Porém se você quer ouvir o som dessa guitarra, ouça o Live like a Suicide ou Lies(apenas as músicas "eletricas). Essa guitarra foi usada pra gravar nestes discos.




2010 Gibson Slash AFD - desconsiderada Guitarra lançada pela Gibson para aproveitar a hype em volta da guitarra feita por Kris Derrig, porém não deixa de ser um excelente instrumento. Tanto o visual quanto o som tentar replicar o da guitarra usada no Appetite. Essa guitarra vem sendo muito utilizada em shows.





 Esta foi a segunda parte, retornarei em breve a este assunto falando sobre os amplificadores usados.

Até mais.
Filipe Zanella