domingo, 24 de novembro de 2013

Billy Gibbons X Seasick Steve










                      X








O objetivo de um guitarrista, ou qualquer músico em geral, é sempre crescer, e evoluir. Eu gosto muito desse processo de aprendizagem, só que nunca me empolguei muito com os métodos convencionais de estudo. Eu acho eles pouco criativos, e muitas vezes chatos. E música não pode ser chato, senão perde o sentido.
  Então, na busca de formas pra aumentar os conhecimentos, comecei a comparar músicos diferentes, tentando entender melhor a personalidade deles. Fazendo comparações você consegue ver o que é importante no estilo de cada um, e absorver algumas coisas pro seu próprio estilo. Além disso, é uma forma de começar a falar sobre histórias legais relacionadas a esses caras aqui no blog, então vamos analisar esses dois velhos bluesman pra começar:


Billy Gibbons

 O bom e velho Gibbons vem liderando o ZZ Top há algumas dezenas de anos(sim, fiz isso pra enfatizar). E continua sendo um dos melhores. Quem já ouviu o último lançamento, o "La Futura" ? Os timbres estão bem "fuzzy", tem riffs, solos e refrões bem legais. Espero conseguir ver esse cara ao vivo algum dia - bem que podia ter show do ZZtop aqui em São Paulo ano que vem.

 Seasick Steve

 Pra quem não conhece Seasick Steve...  Só vou dizer que o cara é um excelente músico, toca e canta muito bem, compõe bem e lançou ESSE ANO um disco e tanto chamado "Hubcap Music", que é um cara que tocava nas ruas, já rodou o EUA e a Europa fazendo isso e só ficou conhecido há pouco tempo, depois de participar de um programa de TV.


 Para comparar os estilos desses caras vou dividir esse post em 3 partes. Lá vamos nós:

1.Guitarras

 Eu já fiz alguns posts sobre guitarras especiais aqui, vide Slash - A guitarra do Appetite e Sergio Dias - Mutantes e é um assunto que sempre vai ser central no blog, afinal estamos aqui pra isso! Tanto Seasick Steve quando Billy Gibbons são caras que possuem guitarras "únicas".


 A principal guitarra de Gibbons (das muitas que ele utiliza) é uma Gibson Les Paul 59. Bem, pra quem não conhece nada sobre essa Les Paul, vou dizer que a Les Paul 59 é considerada o Santo Graal das guitarras por muitos músicos e luthiers renomados.
Billy G. nomeou sua guitarra de Pearly Gates, e ela é a guitarra que ele usa em todas as gravações do ZZtop. Ao vivo, Gibbons não utiliza essa guitarra, pois a considera muito valiosa para levar para a estrada. Porém sabemos que ao vivo ele utiliza equalização para deixar o som de suas outras guitarras com o som mais próximo possível da Pearly Gates. Veja ao lado Gibbons empunhando a Pearly Gates.



 Seasick Steve não fica atrás quando o assunto é instrumento pessoal e único. Isso acontece porque ele usa instrumentos artesanais, geralmente usando sucata, e pasmem: o som é incrível.
 Seu último disco "Hubcap Músic" tem esse nome devido à guitarra usada nas gravações uma Hubcap Guitar. É uma guitarra muito parecida com as antigas guitarras feitas de caixa de charuto ( que Seasick Steve também usa), porém o corpo, ao invés de ser feito com caixa de charutos, é feito com calotas de rodas de carro, os hubcaps. Essa guitarra de Steve  possui 3 cordas em afinaçao aberta em G. E com esse instrumento, plugado em um Bassman, ele tira esse som nervoso que você pode ouvir no CD.


2.Play and Sing


Admiro ainda mais esses caras porque também faço isso, e acreditem, tocar e cantar junto é complicado. Quando você é o vocalista e o guitarrista, você  procura adaptar o seu jeito de tocar para que você não se atrapalhe, e geralmente as partes mais complexas na guitarra ficam entre as frases cantadas. Você também procura configurar o timbre da sua guitarra para complementar a sua voz, e não brigar com ela. É uma questão de adaptação que modifica a forma como você toca.


 Billy G. nesse sentido acredito ser mais tradicional, ele tem uma voz bem versátil que vai do agudo como em Legs até o grave cavernoso, como em La Grange. Suas bases são bem diretas apoiando bem sua voz; o timbre é agressivo, mas pode ficar mais suave se ele começa a cantar. Os riffs são calcados no blues, mas com muita influência também de riffs de rock.



Seasick Steve é ainda mais blueseiro, sua voz é predominantemente grave e, pra guitarra não encobri-la, ele muitas vezes dobra as frases vocais com a guitarra. Ele também utiliza muitas vezes guitarras com apenas 3 cordas, o que deixa o som menos cheio, e com mais espaço para sua voz. Geralmente essas guitarras são afinadas com afinações abertas, tipicas do blues e carregadas com muito uso do Slide para fazer riffs, solos ou simplesmente para fazer a guitarra "cantar" junto com ele.



 3. Barba Power trio

 É difícil não reparar na semelhança fisica, acho que com essa barba Seasick Steve seria um ótimo candidato para ser um quarto integrante do ZZtop.
 Brincadeiras à parte, ambos tocam em Power Trios. O ZZtop é uma das bandas mais tradicionais dos EUA e Seasick Steve nos últimos tempos vem gravando no formato power trio também. Em sua última tour, ele vem fazendo um som com ninguém mais ninguém menos que John Paul Jones no baixo.


 Por Fim

 Seasick é bem menos conhecido porém não menos talentoso que Gibbons. Pra seguirem nessa evolução musical procurem os discos de ambos, coloquem no MP3/Ipod/Celular e ouçam bastante. Aproveitem a jornada e tornem-se músicos ainda melhores.


Abraços e até a próxima


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Como eles conseguiram aquele som ? Appetite for Destruction - Parte 1 - A guitarra do Slash

 Estou inaugurando essa sessão do blog onde eu quero abordar o timbre tirado em grandes
álbuns por grandes guitarristas, e a obra que inaugura essa sequência de postagens é o icônico Appetite for Destruction do Guns 'n Roses.
 Acredito que atualmente não seja necessário fazer uma apresentação para este álbum, pois as músicas são executadas exaustivamente em rádios, programas de tv, festas, propagandas, filmes. Já é um clássico e ponto.
 Porém é incrível como podemos nos surpreender onde menos esperamos. Talvez seja isso que torne determinadas obras tão impactantes. Deixe-me explicar melhor o que quero dizer. Eu ouço este álbum há mais de 10 anos, talvez seja o álbum que mais ouvi até hoje, portanto foi uma escolha natural para o início desta sessão no blog, e para minha surpresa, depois que comecei a pesquisar sobre ele, descobri histórias e ouvi coisas que ainda não tinha ouvido. É incrível como ele ainda tem elementos que são novos pra mim; talvez essa seja a profundidade que pode tornar uma obra à prova do tempo, que pode ser sempre revisitada sem nunca se tornar datada. Enfim, vamos à história.

 A guitarra do Slash





 Como este é um assunto extenso decidi dividir as postagens em alguns capítulos, e o primeiro deles não poderia ser outro: as guitarras utilizadas por Slash na gravação do álbum.
 Após a explosão do Guns n' Roses no final da década de 80, num período da música em que a guitarra tinha se tornado pasteurizada devido à extensa utilização de efeitos, Slash chamou a atenção do público e da mídia por trazer de volta um estilo clássico, baseado nos grandes guitar heroes dos anos 70. Era a velha combinação de Gibson Les Paul e Marshall.

  Porém, o que torna essa história interessante é que a guitarra que ficou famosa junto com Slash não era uma Gibson!  Vocês podem argumentar que nos clipes iniciais vemos sem dúvida nenhuma o logotipo da Gibson no headstock da guitarra, e vocês estão certos quanto a isso. Porém esse logo está ali pois a guitarra é uma réplica que segue precisamente os padrões da Les Paul Gibson.

 Gravando o Appetite



           O produtor  Alan Niven

Atualmente estão disponíveis na internet e em revistas dezenas de matérias (a maioria em inglês) dos ex integrantes do Guns n' Roses nas quais qualquer assunto ligado ao Appetite é discutido. E a história que é contada por Slash e Alan Nieven (produtor do Guns na época da gravação do Appetite) é muito similar.
 No período em que a banda ia gravar, os membros do Guns n' Roses estavam afundados até a cabeça em festas, festas, mulheres, drogas e festas. E em uma delas a banda teria destruído seu apartamento, tendo um prejuízo de aproximadamente 20 mil dólares.  Somando isto ao fato de heroína ser algo bem caro, temos Slash prestes a gravar o que viria a ser um dos álbuns mais importantes da história do rock "recente" e sem ter uma boa guitarra.  Devido ao vicio em drogas ele havia penhorado sua melhor guitarra, uma Les Paul, ficando apenas com três guitarras.

 Slash diz: "Basicamente, eu não tinha nada: na época eu estava apenas com três guitarras. Duas eram Jacksons, uma das quais tinha sido feita especialmente pra mim: era uma Firebird preta com a minha tatuagem de Shirley no corpo (tinha um som de merda). A outra era um protótipo ao estilo da Strat com um corpo em arco que me emprestaram e eu nunca devolvi. Era uma das únicas duas que ja haviam sido feitas. A terceira era uma BC Rich Warlock vermelha. E nenhuma delas soava bem pelos alto falantes."


*Slash com a B.C. Rich

 Slash também diz é que você não conhece o som real de uma guitarra até começar a gravar com ela. Sim, isso mesmo, ele acreditava que o som dessa guitarra era bom, mas quando começaram as gravações, viu que estava em apuros. Slash - "Quando ouvi o playback, percebi que estava em apuros:minha guitarra soava uma merda através de uma mesa de som de um estúdio de verdade". 
 Tanto a Warlock quanto a Jackson não estavam fazendo com que ele conseguisse aquele som que já havia conseguido em outros tempos utilizando uma Les Paul. Estou me referindo principalmente ao som de guitarra solo. Nesta época Slash já havia se desfeito de uma Les Paul e tinha ficado obcecado em conseguir aquele som novamente. 
 Slash não esconde a frustração que sentia na época "Tinhamos chegado muito longe, e eu estava determinado a fazer com que o som da minha guitarra ficasse perfeito no disco. Mas não sabia como conseguir esse milagre, por que estava, digamos, na maior pindaíba. Tentei amenizar como me sentia durante aquelas gravações de faixas básicas bebendo muito e adiando o inevitável enquanto tocava com a banda, sabendo que, de algum modo, teria de resolver aquilo e gravar de novo todas as minhas partes".
*Slash com a Jackson

 Alan Niven conta também que as cordas da Jackson estavam podres, ele disse para o guitarrista  "Slash, suas cordas estão mortas". Então Slash foi trocar as cordas, e as tirou todas de uma vez, fazendo com que o braço empenasse. Segundo Niven, "a afinação daquela guitarra nunca mais foi a mesma" .
 Por coincidência minha primeira guitarra foi também uma Jackson, no meu caso uma Jackson Dinky. Essas guitarras são bem legais, e eu tenho a minha até hoje. Porém o timbre é totalmente diferente da Les Paul, acho que o que Slash queria era um som específico de Les Paul e com um cabelinho a mais de médios pra guitarra aparecer mais no mix final.
    Mas vamos parar a história neste ponto e voltar a ela depois.


 Kris Derrig




 Kris Derrig foi um excelente Luthier norte americano, infelizmente já falecido. O cara morreu novo, em 1987, com apenas 33 anos, e muitos dizem que sua morte foi consequência de horas construindo guitarras sem proteção nenhuma contra os elementos químicos utilizados na construção e acabamento do material.

 Kris era um rapaz muito focado, apaixonado por carros, The Allman Brothers e guitarras, além de ser cabeleireiro. Os mais próximos contam que quando ele se interessava por algo, ele era muito intenso, chegando a ser até meio bitolado, obcecado, etc... Bom, posso dizer que entendo esse cara... Quero frisar que este cara era um gênio não somente na construção de guitarras, em tudo que ele se interessava profundamente ele desenvolvia um conhecimento muito grande. É uma pena ter morrido tão jovem.

 Esse fascínio e obsessão por guitarras foi o que o permitiu atingir um nível de excelência na construção do instrumento. E tal qualidade chamou a atenção de Jim Foote, um negociante de instrumentos.
 Kris conheceu Jim Foote em 83, quando tentava vender a ele uma guitarra na qual ele havia refeito o acabamento. Impressionado, Jim contratou Kris para trabalhar na finalização de guitarras na Redondo Shop (California). Em 86, Jim Foot e Kris Derrig conseguiram a madeira que utilizaram para fabricação de diversas guitarras, incluido a Les Paul que viria a ser de Slash. Antes de ir parar nas mão de Slash em 22/12/1986, esta guitarra ficou cerca de 6 meses parada na loja.

 Kris fez essa guitarra para arrecadar mais fundos que iria utilizar na personalização de um de seus carros.


  Voltando a Slash e Alan Niven... 

 Decidido então a encontrar uma boa guitarra para Slash gravar o álbum , Niven contata Jim Foote, da Redondo Shop. Não preciso dizer que a Les Paul réplica feita por Derrig vai parar nas mãos de Slash.  Jim Foot concorda em deixar Alan Niven levar a guitarra para Slash tocar e no dia seguinte ele é fotografado usando a guitarra na Cat House, num show de lançamento do EP Live Like a Suicide.

 Slash relembra o momento em que recebeu a guitarra de forma romântica "Alan entrou na sala de controle e pousou um estojo de guitarra no pequeno sofá atrás da mesa de som. O espaço apertado onde se encaixava o sofá era iluminado por uma lâmpada logo acima, cuja luz realçou perfeitamente a guitarra quando Alan abriu o estojo"

 Essa guitarra traduziu em som o que Slash procurava e chegou em tempo de ser utilizada para as gravações dos solos do disco (as bases já haviam sido gravadas);  segundo o guitarrista, ela foi utilizada em todos os seus solos no disco Appetite for Destruction.
 A guitarra feita por Derrig é uma burst, réplica da Gibson Les Paul 59, porém com captadores Seymour Duncan Alnico Pro II e o braço similar ao da Gibson 58, um pouco mais grosso, que segundo alguns confere um som especial à guitarra.
 Os captadores foram uma sugestão de Jim Foote; aparentemente estes eram seus preferidos, e é incrível como isso foi importante para fundamentar o timbre do Slash definitivamente.



 Entrando para a história



 O que Slash não imaginava é que aquele som gravado no Appetite for Destruction se tornaria icônico e não poderia nunca mais ser reproduzido, nem mesmo por ele em outros discos (vamos discutir isso mais a fundo em outros posts).
 A combinação das caraterísticas da réplica feita por Derrig somadas à utilização de um captador que não vinha de fábrica com a original resultou num timbre particular e que se tornou referência.
 A morte de Kris Derrig tornou essa guitarra ainda mais valiosa, pois acredita-se que ele tenha feito apenas 24 Les Pauls em toda sua vida. E acredite, elas valem muito dinheiro e há muitos colecionadores interessados.
 O próprio Slash comprou mais uma Les Paul feita por Derrig, em 1996, de Jim Foote.



A réplica da réplica
À esquerda, a nova Gibson Slash AFD e à direita a guitarra que Slash vem usando desde o Appetite for Destruction

 Recentemente a Gibson lançou uma réplica da guitarra de Slash. Muitos criticam por ser a réplica da réplica, mas eu acredito que é um instrumento especial, com características únicas e que foi totalmente baseado na Gibson, o que não deixa de ser uma homenagem à marca.
 Devido a isso acho válida a inciativa deste lançamento. A versão da Gibson vem com os captadores Signature do Slash, feitos pela Seymour Duncan e baseados nos caps da guitarra do Derrig.
 A Seymour Duncan afirma que os captadores novos do Slash foram criados para dar mais saída, deixando o som mais agressivo, assim como o som do Appetite for Destruction. Honestamente eu não tenho uma opinião muito clara sobre estes captadores (nem os Signature e nem os Alnico Pro II da guitarra feita pelo Derrig), pois nunca toquei com nenhum deles, porém fiquei interessado.
 Pessoalmente eu gosto de captadores mais agressivos na ponte, mas isso é conversa pra outro post.


Por hoje fico aqui, porém veja abaixo a sequência deste artigo em outro post:


Como eles conseguiram aquele som ? Appetite for Destruction - Parte 2 de 5 - A Guitarra do Slash


domingo, 13 de outubro de 2013

Meu Equipamento (Gear) Parte 1 - PEDAIS

 Desde que escasquetei com a ideia de que seria possível gravar um disco, com altíssima qualidade de som, em um home studio comum, a coleção de pedais começou a aumentar sensivelmente.

 Eu chamo este vício de "coleção"

O processo de pré-produção consiste em ir fazendo "guias" das músicas, que são guitarras base com metrônomo. Desta forma vou definindo a composição, enquanto compro equipamentos e faço experimentações no timbre da guitarra.

Conseguir um excelente timbre de guitarra é um processo complicado, é quase que um processo mágico, espero conseguir dividir um pouco dessas experiências no blog.



Primeiro quero falar daqueles que eu levo pra gigs.  Let's talk about pedals!


Stax Rocks - Mg Music

 Este pedal da MG chegou aqui por acaso; eu estava interessado em adicionar um Wha no meu set e já conhecia este pedal por te-lo visto na internet. Então vi um anúncio de um pedal à venda e resolvi levar. Eu ainda não o usei em nenhuma gravação, porém pretendo explorá-lo bastante neste sentido pois ele é um pedal bem versátil.

 As características que me agradaram é que ele tem diversas opções de regulagem que mudam a frequência em que o pedal atua. Dessa forma você consegue ajudar para que a área de frequência em que o pedal trabalha coincida com o timbre da sua guitarra. Se você possui uma guitarra mais grave o Wha pode "falar" mais na região dos graves. Se tem um set onde se destacam os médios idem. O pedal tem 6 opções de regulagens.  Além disso possui uma chave que muda o indutor do pedal, tendo assim 2 tipos de timbre. Um mais clássico e um com uma leve modulação junto com o Wha que lembra me um phaser.

Octavio - Dunlop

 Em 2013 saí de férias, viajei pra Londres, e
obviamente já saí daqui com planos de trazer alguma coisa de lá. Tava de olho nele porque adoro fuzz com Octave UP, na verdade considero ele outro efeito.
 Este pedal tem como principal referência Jimy Hendrix, seu grande popularizador.. Ele mistura com o som que você toca, o som de uma nota uma oitava acima e é claro, adiciona distorção na equação.
 Ele soa legal tanto pra solos como pra bases com power chords. O Octave Up é bem cheio e também deixa a guitarra gigante nos riffs. Quero fazer um post só pra ele em breve.


Power Driver SI - Plan 9



Infelizmente a Plan-9 encerrou as atividades em 2013, por que este pedal é fantástico. Clone do Colorsound Overdriver, porém com um bonus, uma chave que aciona um estágio extra de ganho. Dessa forma o que era pra ser um Boost/Overdrive consegue soar até como Fuzz. No meu set de shows uso como boost pro drive do amp. Adiciono volume e um pouco de drive, os controles de eq funcionam muito bem e você consegue regular ele como um boost full range, treble boost ou bass boost. Em estúdio vou mais além e uso como drive e fuzz também.









That's Echo Folks - Mg Music

 O último pedal da cadeia, o Echo Folks é um delay analógico com o som muito quente e cheio de recursos
pra viagens psicodélicas.
 Basicamente eu o uso para criar ambiências para os solos, isso é uma herança que tenho da influência do Randy Rhoads, foi  primeiro cara que curti que usava delay desta forma.
 Quando toco em trios uso os efeitos malucos dele pra poder variar mais o som no show. No disco do Valete in Blues usei ele bem de leve pra criar ambiências nos solos, no meu disco mais novo, quero explorar mais ele, usando alguns dos efeitos psicodélicos que ele proporciona.









Da esquerda para direita: Echo Folks, Big Muff Pi, Octavio, Alien Booster e Stax Rocks


Na Prateleira


Big Muff - Electro Harmonix


Este pedal fez por uma tempo a função principal no meu set, a "distorção" central do sistema como um todo.
 Atualmente uso ele principalmente pra gravações, o som é bem comprimido e ele deixa alguns riffs gigantescos, Quanto quero um som pesado recorro ao Muff.
 A propósito, eu ja escrevi um texto mais detalhado a respeito do Big Muff, você pode ler ele clicando aqui.




Classic 68 - Plan 9 


Esse é um dos preferidos, um clone do Fuzz Face com transístores de silício, que possuem um som com mais ganho que a versão germânio. Talvez seja o som mais clássico do Fuzz, tem um timbre bem profundo e é um pedal bem versátil. Essa versão da Plan-9 possui um filtro que quando acionado corta graves, com a ideia de permitir o uso do pedal com humbuckers diminuindo o grave excessivo. No meu caso uso esse corta graves como recurso alternativo, pra gerar timbres mais magrelos e estranhos pra algum trecho de música. É um dos principais pedais das gravações e as vezes também vai pra gig. 




Boss DS-2

A historia deste pedal é a seguinte, Eu ouvi uma música do Red Hot um dia e adorei um dos timbres, pesquisei e era este carinha. Resolvi comprar o pedal então e desde então ele está comigo. Pretendo escrever um post com mais detalhes. Eu gosto de usar esse pedal principalmente empurrando o drive do amp. É um pedal que não raramente vai pro board de gigs.


SansAmp GT2 - Tech 21


Esse pedal é muito conhecido devido a ter tido uma febre sobre ele nas últimas 2 décadas. Eu pretendo escrever um post só pra este pedal mas por hora posso dizer que não curto muito o som dele plugado num amp. Pra mim ele serve como um simulador analógico que você pode usar quando pluga a guitarra numa mesa de som ou gravações diretas. Atualmente ele está no meu Set pras gravações de baixo, a versatilidade e as características de timbre e compressão parecidas com um amp valvulado, que ele adiciona ao som, é o que me chama atenção nele;



Também passaram por aqui...



Wylde Overdrive - EFX


Este clone do Zw-44 da Dunlop costumava ser usado pra bases por mim, euqnato o The Drive da MG se encarregava dos solos. Uma curiosidade sobre ele é que ele seria usado pras bases do disco do Valete in Blues. Porém no dia da gravação ele estava captando muito sinal de rádio, então optamos por fazer tudo com o The Drive. Com a aquisição de novos amps e pedais este foi ficando meio de lado e acabei vendendo.


Alien Booster - Mg Music


Após um tempo tocando com vários pedais de drive comecei a ficar incomodado com as mudanças drásticas no timbre quando mudava de um para o outro. Eu queria criar variações de sons, porém com base no mesmo som, pois assim acredito que soe mais orgânico, mais natural.
 Então trouxe esse boost de Germanium da MG para compor meu set. O que começou a me incomodar um pouco foi que ele cortava meus graves quando acionado, depois li que isso é uma característica presente nos modelos baseados no Rangemaster. Portanto acabei optando pelo Power Driver-SI e passei esse pedal pra frente.


The Drive - Mg Music

 Este pedal foi meu único drive durante a gravação do disco do Valete in Blues. Porém com o passar
do tempo fui achando que ele era "colorido" demais pro meu gosto. Desta forma fui optando por outros pedais e deixando ele cada vez mais encostado em casa, até que resolvi vendê-lo.
 Este pedal é um Fuzz Face com os médios de um tube screamer, ele tem um toogle switch que permite escolher 3 tipos de configurações sonoras. A primeira mais grave, a segunda um timbre bem agudo e magro, e o terceiro é um meio termo entre ambos.

Até hoje gosto do timbre quando ouço as gravações do VIB e esse pedal ficou registrado ali.




Se quiser sacar o timbre ouça essa música que está no álbum do Valete in Blues:






Por enquanto é só, enquanto ainda estou gravando as guias do CD , sem duvida trarei mais pedais pra testes, e atualizarei o post novamente.


Fui
Filipe Zanella

domingo, 29 de setembro de 2013

Masterclass - Vídeo Aula - Joe Bonamassa


Muito boa noite pessoal (bom dia ou boa tarde, dependendo da hora que você lê o post),

 Essa nova "sessão" do blog é uma ideia que tive para falar um pouco sobre técnica, ideias novas e evolução na forma de tocar guitarra.
 O objetivo é simples: compartilhar aqui no blog as vídeo-aulas que eu escolho pra praticar, quem sabe você não curte e decide pegar as dicas desse vídeo.


 Filipe, como você seleciona as vídeo-aulas pra estudar?

 Isso é muito simples... Pelo som! Não tem segredo, eu não estou me importando pras técnicas que são ensinadas, meu processo consiste em procurar no Youtube sobre "guitar lessons", assistir os videos e ver se algo me chama atenção sonoramente. A maioria das coisas não são aproveitáveis, porque ou são malabarismos ou o som não me empolga. Quando eu acho algo que eu ouço e me chama atenção eu sinto vontade de aprender a tocar aquilo, então eu começo a estudar a lição. Ah, já ia me esquecendo, eu também evito aulas longas, porque não consigo ficar meses estudando só a mesma coisa. Então prefiro videos curtos de 10 min. em média.

 Sobre o processo de estudo

Também não é muito complexo. A maioria das coisas eu vou tirando de ouvido, mas quando tem tablatura ajuda, principalmente nas partes mais rápidas.

Sobre o vídeo selecionado pra essa aula

Bem, este é um vídeo do Joe Bonamassa que parece ter sido gravado em um camarim ou quarto de hotel. Possui cerca de 10 min. de duração, e nele Bonamassa mostra ideias que usa pros seus solos.
 Se vocês buscarem mais coisas na net do Bonamassa vão achar umas vídeo-aulas mais antigas, porém estas não me interessam muito. Ao longo do tempo ele foi moldando seu estilo e é o som que ele tira hoje que me interessa. Eu fiquei fascinado pelas passagens de palhetada rápida usando um som encorpado e com pouco drive, como se tivesse um Q de jazz no som.
 Isso me fez rever como eu estava tocando diversas coisas, minha base está totalmente fundamentada nos ligados. Eu nunca fui um rapaz palhetador, mas depois desse vídeo repensei sobre essa questão, suei bastante a camisa e agora estou usando muito mais a palhetada alternada. Com certeza a palhetada foi a parte da aula em que tive mais dificuldade.
 Outra coisa que me ajudou muito nessa aula foi perceber que o timbre grave e com menos drive fica sensacional pra esse tipo de som. Então pela primeira vez o captador do braço da minha guitarra deixou de ser um enfeite e passou a ter uma finalidade real.

 Agora chega de papo e vamos ao vídeo:




 Algo além...

 Postar esta aula e tecer meus comentários seria já algo interessante, porém eu queria fazer algo além, então resolvi fazer o seguinte, fazer um solo improvisado usando as coisas que aprendi no vídeo (licks, timbres, etc...) mas dendro do MEU estilo de tocar.
 Eu acredito que essas aulas sirvam pra gente afiar nossa técnica, e absorver algumas idéias, porém nosso estilo pessoal é só nosso, então o que fazemos é aprender algumas coisas, e incrementar nosso próprio som com algumas delas, dando uma abordagem pessoal pras ideias de outra pessoa. Espero que curtam, o vídeo abaixo demonstra isso:



 Por hoje é só, vejo vocês em breve com um novo assunto.

domingo, 15 de setembro de 2013

O SOM DOS MUTANTES - REGVLVS (GUITARRA DE OURO)

 ...e a REGVLVS. Ja ouviu falar?


 Basicamente se você nunca ouviu falar sobre essa enigmática guitarra este post é para você. Descobri essa guitarra quando fazia pesquisar sobre timbres de guitarra para o laboratório da gravação do meu CD, e resolvi me aprofundar. O que eu descobri?

 Pra resumir:


 * REGVLVS RAPHAEL é uma guitarra desenvolvida pelo grande (CCDB) Claudio Cesar Dias Baptista. Construída nos anos 60, ela possui inúmeros tipos de inovações que até hoje a tornam uma guitarra diferenciada. O icônico guitarrista que utilizou (e continua utilizando) essa guitarra é Sergio Dias (Os Mutantes), irmão do criador da guitarra.

 O que ocorreu é que na época do início dos Mutantes, conseguir um instrumento de qualidade no Brasil era algo realmente complicado. Não havia boas opções no mercado nacional, e importar sempre custou uma fortuna. Foi quando o músico Raphael Vilardi pediu a seu amigo CCDB uma guitarra, a melhor guitarra que poderia ser construída.

 Foi com esse objetivo que a REGVLVS foi construída, e o processo incluiu a construção simultânea de duas guitarras. Uma era um protótipo onde as ideias eram testadas, e o outra era a versão "final", onde as ideias testadas eram aplicadas. No final do processo, o protótipo ficou tão bom que CCDB presenteou seu irmão Sergio com a guitarra. Nascia assim uma lenda.

                                   O prototipo e a versão final da Regvlvs


 O que me chamou atenção é quantidade fantástica de recursos incomuns e muito interessantes que essa guitarra possui.


 E quais seriam as inovações dessa guitarra? Porque ela é um instrumento único? Vamos lá:

 Construção - Stradivarius:

 A primeira vista o desenho dela lembra muito uma Gibson semi acústica, porém vendo a criança de perfil notamos um grande angulo do braço, que lembra muito um violino:

Figura 1



Figura 2

Figura 3



 Nas fotos acima podemos ver, respectivamente, o braço angulado da REGVLVS, o braço de um violino também angulado em relação ao corpo, e um o braço totalmente reto de um baixo Gibson, que pode ser usado como referência de braço reto em relação ao corpo. Segundo CCDB  esse desenho foi baseado nos violinos Stradivarius. Sergio Dias afirma que este formato de braço torna a guitarra mais ergonômica, pois ela envolve o guitarrista que a toca.

  "Pesquisou coisas do Stradivarius antes de fazer o instrumento. Ele estudou toda a estrutura interna dos violinos, por isso, se você olhar essa guitarra de lado, ela tem um angulo muito forte entre cavaletes, e é bem alta, os captadores tem quase 7 cm de altura entre corpo e corda. Isso traz uma transmissão de corda pra corpo, uma tradução de energia muito forte que vem de violinos, cellos.Além disso, ela fica muito mais cômoda, é ergonomicamente correta."

 Outro detalhe sobre a construção dessa guitarra é uma característica que ajuda  a dar nome a ela. Depois de escavada a guitarra foi totalmente banhada a ouro por dentro e por fora, com a finalidade de reduzir possíveis ruídos de interferência.

Sergio Dias "Na época, os transistores eram muito barulhentos, e como ela é single coil, tínhamos de dar um jeito de blindá-la inteira. Ela é cheia de circuitos por dentro, não dava pra blindar elemento por elemento. Os fios eram blindados com malha banhada a ouro também. Aí o Claudio chegou à conclusão de que a melhor coisa era folheá-la inteira a ouro, por dentro e por fora. Isso não custa uma fortuna, mas só o trabalho que dava..."

Em relação a madeiras Sergio Dias acredita que tenham sido usadas:

Corpo - Pau Marfim
Braço - Mogno ou Cedro
Escala - Jacarandá

 Captação

Piezzo
 Essa guitarra possui dois captadores magnéticos single de baixa impedância. Porém na ponte existe um terceiro captador, chamado por CCDB de "Captador Milagroso". Este captador tem um funcionamento parecido com o captador de piezzo utilizado em violões hoje em dia. Ele produz um som muito próximo do som de violão, mesmo quando utilizado numa guitarra.  A REGVLVS permite que esse som seja utilizado em isolado ou misturado com o som dos outros captadores. Quando utilizado junto com o som dos captadores magnéticos este som pode ser dividido em canais diferentes, criando um efeito estéreo. Enfim...loucura, mas é sensacional.

Atualmente esse captador da ponte foi "substituído" por um sistema com 3 captadores espalhados pelo corpo, e que faz a mesma função.

Magneticos
(Atualização do POST) Um adendo... recentemente achei em uma Guitar Player antiga uma entrevista com Sergio Dias onde ele diz o seguinte sobre a captação magnética desta guitarra.
 "Foi uma ideia que desenvolvemos para obter dois timbres distintos, um Gibson e um Stratocaster, sem precisar trocar de guitarra. Como fazer isso só trocando os pick-ups? Você faz mais taps. Taps é como interromper um transformador que tenha 110 ou 220 volts. Ele tem um tap a 110, que seria um número X de espirais, e a 220, X números de espirais a mais. Seriam 2 taps. Esse aqui tem 13 taps. Mas não vou contar mais nada porque é segredo."

Já sabemos que estes captadores são magnéticos, single coil, baixa impedância e possuem a função de taps descrita acima por Sergio Dias. Porém possuem ainda outro segredo, são hexafônicos, ou seja, podem captar o som de cada corda individualmente, vamos ver isso com mais detalhes abaixo...

Obs. Os imãs são de Alnico

  Distorção

 Essa guitarra se destaca por possuir dentro dela "distorcedores", ou seja, um som de distorção dentro da própria guitarra. Porém, pelo que Sergio Dias deu a entender em uma entrevista a revista Guitar Class, não é um overdrive comum dentro da guitarra. O sistema começa na verdade nos captadores que conseguem captar o som de cada corda individualmente, pra cada corda existe um distorcedor, que distorce o som de cada corda em separado. Depois os 6 sons distorcidos passam por um circuito de mixer que une esses sons e envia dessa forma para a saída da guitarra.

 Sergio Dias - " Não queríamos um certo brrrr (trepidação) entre as cordas quando eu fizesse um acorde, aí o Claudio disse que o único jeito disso não acontecer seria com 6 captadores independentes e seis distorcedores independentes para poder se mixar tudo depois. Foi isso o que fizemos , 6 distorcedores e 6 captadores independentes com enrolamentos de mais ou menos de 2,5k."


*CCDB e as primeiras guitarras REGVLVS

 E ele continua "São distorcedores que geram o som dos acordes, riquíssimos em harmônicos. É um som que não existe, é como se fosse um órgão."

Além disso ela tem um distorcedor que atua diretamente no som de todas as cordas.

Circuito Memória

Outra inovação presente na guitarra é a possibilidade de memorizar 2 regulagens diferentes, e mudar entre eles apenas com o acionamento de uma chave.

 Reza a lenda...


 Reza a lenda que esta guitarra foi roubada (outros dizem que foi vendida) e após o novo dono ler as inscrições abaixo, feitas por CCDB no corpo da guitarra, resolveu devolvê-la para Sergio Dias:

"Que todo aquele que desrespeitar a integridade deste instrumento, procurar ou conseguir possuí-lo ilicitamente, ou que dele fizer comentários difamatórios, construir ou tentar construir uma cópia sua, não sendo seu legítimo criador, enfim, que não se mantiver na condição de mero observador submisso em relação ao mesmo, seja perseguido pelas forças do Mal até que a elas pertença total e eternamente. E que o instrumento retorne intacto a seu legítimo possuidor, indicado por aquele que o construiu"..


 Não sei exatamente o que pude retirar desta historia como aprendizado para a minha gravação, que foi o motivador da historia toda.  Porém sei que isso me inspira a não ter limites pra minha criatividade, procurando sempre melhorar o resultado sonoro. E em termos de guitarra, continuo usando a boa e velha Les Paul.

Para finalizar quero recomendar para todos aqueles que curtem boas melodias, letras e arranjos criativos, sons vintage que ouçam os discos dos Mutantes, uma das maiores bandas de todos os tempos. 



Nesse link tem muita informação sobre a guitarra(site do CCDB) - http://www.ccdb.gea.nom.br/guitarra_ouro_ccdb.html


As Guitarras Regvlvs

A informação que circula na internet é que CCDB fabricou aproximadamente 30 guitarras Regvlvs. Apenas 3 delas são bem conhecidas.


Regvlvs nº0 Sergio Dias



Essa guitarra foi o prototipo que foi dado a Sergio Dias por CCDB. Essa guitarra tem uma cor marrom, diferente das outras, porque no processo de fabricação foi necessário um recorte na madeira. Assim sendo, CCDB optou por escurecer a madeira, afim de não evidenciar o recorte.


E você pode ver o próprio Sergio falando desta guitarra.




Regvlvs nº1 Raphael Villardi

Depois de testar algo na nº0 CCDB aplicava na nº1. Essa é a Regvlvs Raphael Villardi. Esta guitarra não possui os distorcedores, que foram adicionados apenas nas guitarras de Sergio Dias, após a construção desta.



Regvlvs nº 2



 Esta guitarra foi feita para Sérgio Dias posteriormente a construção das anteriores. Vemos que ela tinha a coloração mais clara, assim como a de Raphael Villardi.

 Sabemos que atualmente Sergio Dias não mais possui esta guitarra, ela aparentemente foi vendida por ele.

 O músico conhecido como Astronauta Pinguim afirma possuir esta guitarra atualmente, e conta que a comprou de um músico, no litoral gaúcho.



Por enquanto é só, espero que tenham curtido essa jornada assim como eu. Venho lembrar que esse texto pode, e provavelmente será alterado/corrigido, assim que eu tomar conhecimento de mais informações. 




Filipe Zanella

domingo, 8 de setembro de 2013

Big Muff PI Teste, Review e Historia - Electro Harmonix



Senhoras e senhores guitarreiros,

 Tem muita coisa que eu quero abordar nos próximos posts e uma dessas coisas é o assunto "pedais". Sim pedaizinhos de efeitos, essas caixinhas são extremamente viciantes pra quem curte guitarra(minha namorada pode comprovar essa informação).

 Cada pedalzinho dos que possuo atualmente(não são muitos) foi escolhido a dedo depois de pesquisar MUITO, principalmente na internet e em revistas. No caso do Big Muff já tinha ouvido muitas gravações demonstrativas na NET que me agradavam, então um dia fui numa loja e pedi pra testar. Gostei do que ouvi e trouxe pra casa.

 Sobre a historia do BIG Muff , conta a lenda que ele é uma variação do Muff Overdrive, também da EHX, porém eles buscavam mais sustain(algo bem mais difícil de obter nos anos 60) e  acabaram chegando num layout de varias cascatas de ganho, ou seja. O som passa por varias sessões de distorção dentro do pedal, gerando o som super comprimido que conhecemos.

 Vou te dar um exemplo comparando com outros pedais.








O Power Boost da Sola Sound, que é um boost/overdrive que eu gosto muito, tem 2 estágios de ganho.
















Já o Tone Bender MKIII tem 3 estágios de ganho e mais sustain.












O nosso amigo Big Muff tem 4 estágios de ganho com transistores e diodos, ou seja, mais ganho, mais distorção e mais sustain.



 Porque eu curto o som do Big Muff?

 Eu acho que ele tem um som bem orgânico(é difícil explicar isso). Outra coisa que gosto nele é que ele tem um som bem cheio, diferente de outros pedais que limitam muito o som da guitarra nos médios. E tem aquela característica de som de velcro que os fuzz tem.

Basicamente eu uso o Muff de duas formas basicas:
1- Com bastante ganho e muito sustain
2 - Usando menos ganho possível usando com acordes abertos. (só quando não estou com o meu ampli)

Ele com bastante ganho tem o som clássico do Big Muff, é aquele som que está em muitos dos discos mais marcantes da historia da guitarra. No video abaixo eu estou tocando com o set up de Les Paul + Big Muff + Ampli e vocês podem ver esse som com muito ganho que eu uso pra tocar um riff. Pro meu CD que estou gravando, pretendo usar este som pra fazer os riffs mais pesados. Eu gosto de ter bastante peso em alguns riffs, principalmente nos graves, porém sem soar com metal, O Muff é o mais pesado som de fuzz que eu possuo no meu set.




  Mas além desse som, como eu mencionei anteriormente,  da pra tirar um som um pouco mais limpo do Muff, abaixando bem o controle de ganho(Sustain). Eu pessoalmente uso muito essa configuração pra fazer as bases das músicas da minha banda ou projeto solo nos shows onde não tenho o MEU amp pois eu consigo tocar desde riffs até acordes abertos sem precisar usar o drive do amp do local. É algo que eu não sei se todo guitarrista gosta, mas eu aprecio o som de acordes abertos com drive, acho que produz um som bem cheio, mas depende muito da guitarra que você usa pra conseguir um resultado final legal. Porque você precisa conseguir ouvir as notas com clareza, e nem todas as guitarras possuem essa clareza.

 Bom pra ilustrar o som do Muff com menos ganho senho um segundo video:



  Vale lembrar que existem várias versões do Big Muff, a EHX foi mudando o projeto conforme o passar do tempo.

Não vou me aprofundar muito nisso pois não é minha especialidade, o único Muff que tive até hoje é a versão mais atual, que vocês podem ver nos vídeos,

 O Pedal foi comprado antes de eu decidir produzir meu CD solo que tem o conceito de ser todo feito por mim, com um custo acessível e altíssima qualidade de som, porem depois do início deste projeto, pude ver que o Big Muff  pode se encaixar bem fazendo os riffs mais pesados do CD.

 Uma das variações mais famosas do Big Muff é a Ram's Head, da decada da 70. Tem um timbre com mais médios, e foi usada por famosos guitarristas, como David Gilmour do Pink Floyd,.

 E por último, caso vocês tenham curtido peço que compartilhem no face, mandem pros amigos, enfim todas essas coisas que todo mundo pede. Isso é importante pro blog crescer e a discussão ficar mais interessante, é uma ajuda muito bem vinda.


Abraços e boa semana.


Filipe Zanella



Introdução - Apresentação

 Fazia tempo que vinha matutando a ideia de fazer um blog. Na verdade eu não sabia bem porque e também não sabia sobre o que iria falar, era algo estranho porque e não era nada claro pra mim.
 Esse blog mesmo chegou a ir pro ar em julho desse ano(2013) e ficou parado até agora. E este tempo parado foi o tempo que eu precisei pra matutar a ideia um pouco mais, até que ficasse claro o que eu queria.

 O que escrever?

 Óbvio...se tem algo que eu conheço um pouco é de guitarra, pois venho tocando a maior parte da minha vida. Além disso é um assunto que me interessa, estou sempre lendo sobre isso e aprendendo coisas novas. Então como não pensei nisso antes, vou falar sobre guitarra!

 E porque escrever?

 Tudo começou quando minha antiga banda, Valete in Blues, começou a ter divergências de objetivos e acabamos dando uma parada "temporária" sem data pra voltar.

 Sem muitos recursos mas com muita vontade de fazer música decidi seguir fazendo as minhas coisas sozinho mesmo, continuei compondo e decidi gravar.

 O problema então surgiu, como gravar sem estrutura nenhuma? Com o Valete in Blues gravamos depois de muito suor, e com ajuda de várias pessoas, tudo isso pra custear a gravação de um nível que realmente da orgulho do trabalho feito.

 Resolvi então arregaçar as mangas e fazer tudo eu mesmo. Como assim tudo? Tudo tudo.

 Não comecei a pensar no CD somente a partir das músicas, mas também a partir da própria construção do meu home studio. Nesse ponto sim acho que algo inovador começou a ocorrer.

- Ahh mas muita gente hoje tem seus Home Studios e faz suas próprias gravações, o que há de inovador nisso?

 Simples, eu não montem um Home Studio pra fazer a gravação de nada. Eu estou montando conforme o progresso do trabalho acontece. Quero fazer uma analogia , a forma que monto o Studio é como quando você está tocando numa banda, e a cada música nova composta você procura complementar sua pedaleira com um pedal novo. No fim das contas, quando você concluir o Set List da sua banda, terá também terminado a montagem da pedaleira, e te garanto que o resultado seria completamente diferente se você tivesse comprado todos os pedais logo de cara. Sendo ainda mais direto... Composição, arranjo, gravação e mesmo a montagem do estúdio estão sendo tratados com um processo apenas.

E o que tem isso há ver com o blog de guitarras?

 A cada som de guitarra que ouvia pensava. "Como o cara conseguiu esse som?" Depois disso horas eram gastas pesquisando, e depois de tantas pesquisas acabei acumulando muito material sobre guitarra.

Foi nessa hora que senti que era hora de dividir o conhecimento, pra multiplicá-lo. Acreditem, eu aprendo muito escrevendo aqui.  Mas foi só quando senti que eu tinha o que falar, e tinha com o que contribuir, que a necessidade de escrever surgiu.

Agora estamos aqui, o Home Studio continua em evolução, por enquanto vamos chamá-lo de "All Zen", o blog continua crescendo e acumulando material, espero que aproveitem a jornada.

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Quem é o cara por traz deste blog?
  Se você leu sobre todos os planos e projetos relacionados ao blog e se interessou por isto, a primeira coisa que você deve ter pensado é "quem é o cara por trás disto?" . Bem pra você que chegou até aqui tenho algumas informações sobre mim pra compartilhar.

Posso começar dizendo que já faz um tempo que estou envolvido com o mundo da música. Acho que tem influencia familiar nisto, meu pai é o conhecido músico e radialista Odair Zanella e minhas primeiras notas foram em sua guitarra.
 Desde os primeiros acordes, compor sempre foi algo natural. Sempre compus, mesmo antes de saber tocar, já tentava encontrar no braço das guitarras as melodias que brotavam na minha mente.
 Ainda na adolescência eu fiz o arranjo de uma de suas músicas, presente no CD Tábua de Esmeralda, e também trabalhei na gravação e edição de áudio de seu programa "O Contador de Historias" exibido pela Rádio Mundial.
 Minha base de conhecimento foi estabelecida de forma autodidata, para isso utilizei ferramentas que estão a disposição de todos, a Internet e os Livros. Porém por 3 anos também cursei o Conservatório Municipal de Guarulhos, no curso de violão Erudito, e sou extremamente grato ao meu eterno professor, Victor Castellano por tantas coisas que me ensinou.
 Munido destas experiências comecei a gravar e editar minhas próprias músicas em casa, em 2007 com meu amigo de escola, atualmente fotografo Igor Dias. Depois de 2 anos de trabalho, a coisa se transformou na primeira formação da banda The Rocks.
  Após algumas mudanças de formação, ainda em 2009 o The ROcks mudou de nome assumindo a alcunha de Valete in Blues.  Foram vários ensaios, shows, horas compondo. Todo este trabalho ficou registrado em um disco independente que gravamos em 2011, intitulado também Valete in Blues.
  Fico feliz até hoje em ouvir este disco. Pelo lado afetivo pois resume ali toda uma época da vida, e pela sensação de bom trabalho realizado, afinal fizemos ali o melhor que podíamos. A grande confirmação disto é a grande quantidade de aprovação e elogios que continuo recebendo até hoje, vinda de “fãs” que eu considero na verdade amigos, por este trabalho.
  Em 2013 o Valete in Blues entra num período de paralisação por tempo indeterminado, porém isto não me impede, ao contrário, me impulsiona a continuar trabalhando com música.
 Surge então em 2013 o blog "Vamos Falar de Guitarra", em conjunto com a pré-produção do meu primeiro disco solo, e a construção do meu Home Studio, o "23".

Sobre utilização dos textos deste blog.
 Todos os textos deste blog são autorais, ou seja, não republicamos textos que não sejam escritos para outros sites ou outros tipos de publicações. Porém caso você encontre um texto deste blog em outro site, é porque este republicou o texto do blog Vamos Falar de Guitarra, e jamais o oposto.
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 Contamos com a colaboração de todos para que juntos possamos construir uma base de conhecimento que contribua para a formação de músicos e um público de rock mais bem informado.
Filipe Zanella